quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Primeiro voce cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas voce logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A agua do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas nao dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer nao dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê."

“Parece me agora, tanto tempo depois, que as partidas-dolorosas, as amargas-separações, as perdas-irreparáveis costumam lavrar o rosto dos que ficam. (...) em vez de faces, jeitos, vozes, nomes, cheiros, formas, chegam-me somente emoções confusas ou palavras como estas – doloroso, amargo, irreparável.”

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